Prefeitura de Marataízes avalia criar programa de famílias acolhedoras para crianças afastadas dos pais
A Prefeitura de Marataízes iniciou um movimento que pode mudar a maneira como o município lida com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (14) a criação de um grupo de trabalho para estudar a implantação do serviço de acolhimento em família acolhedora.
A proposta prevê que menores afastados do convívio familiar por decisão judicial passem a ser acolhidos provisoriamente por outras famílias, em vez de instituições. A medida segue diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas, no caso de Marataízes, ainda está no campo da análise técnica.
O grupo formado pela prefeitura terá prazo de 90 dias para apresentar um diagnóstico completo, incluindo viabilidade jurídica, impacto financeiro e capacidade administrativa do município.
Participam da iniciativa representantes da Assistência Social, Administração, Procuradoria, Conselho Tutelar, CREAS e Conselho da Criança e do Adolescente. A promessa é avaliar a realidade local antes de qualquer decisão.
Na prática, o programa de família acolhedora é considerado uma alternativa mais humanizada ao acolhimento institucional, mas exige estrutura, acompanhamento constante e investimento público. É justamente esse ponto que passa a ser central no debate: o município tem condições de sustentar a política de forma contínua e eficaz?
O próprio texto oficial deixa claro que a criação do grupo não significa a implantação automática do serviço, mas sim um estudo preliminar para subsidiar uma decisão futura da gestão municipal.
Enquanto isso, outros atos administrativos publicados no mesmo Diário Oficial indicam movimentações na máquina pública. A prefeitura abriu processo para contratação de empresa responsável pela manutenção de aparelhos de ar-condicionado em diferentes setores, e a Câmara Municipal lançou dispensa de licitação para gerenciar o abastecimento de sua frota de veículos.
As medidas reforçam o funcionamento rotineiro da administração, mas também acendem o alerta sobre prioridades e alocação de recursos, especialmente em um momento em que políticas sociais mais complexas começam a entrar na pauta.
A discussão sobre o acolhimento familiar, portanto, vai além de uma nova política pública. Trata-se de uma escolha que envolve sensibilidade social, responsabilidade fiscal e capacidade de execução, três fatores que, na prática, costumam separar boas intenções de resultados concretos.




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