TJES marca para 12 de março julgamento de juiz aposentado acusado de mandar matar Alexandre Martins de Castro Filho
O julgamento do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, acusado de ser mandante do assassinato do também magistrado Alexandre Martins de Castro Filho, foi marcado para o próximo dia 12 de março no Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
A definição da data ocorre após mudanças na tramitação do caso. Em julho de 2025, a 2ª Câmara Criminal do TJES decidiu que o juízo criminal de Vila Velha era incompetente para julgar o processo, considerando o foro por prerrogativa de função, já que, à época dos fatos, Leopoldo ainda exercia o cargo de magistrado.
Tanto a defesa quanto o Ministério Público do Estado do Espírito Santo sustentaram a incompetência do juízo de primeira instância. Com isso, o caso passou a ser analisado pelo tribunal pleno do TJES.
Após três desembargadores sorteados alegarem suspeição por motivo íntimo e recusarem participação, o desembargador Fábio Brasil Nery foi designado relator do processo em setembro.
O assassinato
Alexandre Martins de Castro Filho foi morto com três tiros em 24 de março de 2003, aos 32 anos, quando chegava a uma academia no bairro Itapoã, em Vila Velha. Ao todo, dez pessoas foram denunciadas por envolvimento no crime. Apenas Leopoldo ainda não foi julgado. Ele nega as acusações.
A investigação apontou o nome de Leopoldo em 2005. Após prestar depoimento, ele foi preso preventivamente e encaminhado ao Quartel da Polícia Militar, em Vitória, onde permaneceu por mais de oito meses até obter habeas corpus.
Além do juiz aposentado, outras duas pessoas foram denunciadas como supostos mandantes do assassinato.
Motivação
Alexandre Martins era conhecido por sua atuação no combate ao crime organizado no Espírito Santo. Especialista em Direito Penal e Processual Penal, ele atuava na Vara de Execuções Penais e também lecionou em instituição particular de Vitória.
Em 2002, integrou uma missão especial federal de investigações contra o crime organizado. Conforme documentos do processo, ele e o juiz Carlos Eduardo Lemos teriam passado a receber ameaças de morte após relatarem ao Tribunal de Justiça irregularidades na Vara de Execuções Penais.
No dia do crime, Alexandre dispensou a escolta policial.
Sete pessoas, dois atiradores e cinco intermediários, foram presas, julgadas e condenadas a penas que variaram de oito a 25 anos de prisão. Atualmente, a maioria já está em liberdade.





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