PF abre investigação sobre alta dos combustíveis e mira possíveis abusos; preço da gasolina dispara no ES
A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar possíveis aumentos abusivos nos preços dos combustíveis em todo o país. A investigação foi anunciada nesta terça-feira (17) e envolve suspeitas de crimes contra o consumidor e contra a ordem econômica.
No Espírito Santo, a apuração contará com o apoio do Procon estadual, que deve intensificar a fiscalização em postos e verificar eventuais irregularidades. A medida ocorre em meio à recente disparada nos preços registrada em diferentes regiões.
Dados da Secretaria da Fazenda indicam que, entre os dias 8 e 16 de março, o preço médio da gasolina na Grande Vitória subiu cerca de R$ 0,49, passando de R$ 6,09 para R$ 6,58. Em outras cidades capixabas, há registros de valores superiores a R$ 7 por litro.
No interior, como em Cachoeiro de Itapemirim, consumidores relatam valores ainda mais elevados. Em um dos registros, a gasolina foi encontrada por R$ 7,19 nas primeiras horas da manhã, reforçando a percepção de aumento acelerado.
Além da alta, há críticas de consumidores de que postos estariam usando o cenário internacional, como a guerra envolvendo o Irã, como justificativa para reajustes na gasolina, embora não haja anúncio recente de aumento específico para esse combustível, mas sim impactos mais diretos no diesel.
Também surgem denúncias de práticas irregulares, como a retenção de diesel por parte de estabelecimentos, que alegariam falta do produto mesmo com estoque disponível, com o objetivo de elevar a demanda e, consequentemente, os preços.
A investigação nacional teve início após informações da Secretaria Nacional do Consumidor e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que identificaram indícios de aumentos sem justificativa compatível com os custos do setor.
Segundo a Polícia Federal, estão sendo analisadas práticas que podem afetar todo o mercado, como reajustes injustificados, infrações contra o consumidor e até formação de cartel. Dependendo do enquadramento, as penas podem chegar a até 5 anos de reclusão e 10 anos de detenção.
O Ministério da Justiça afirmou que o governo federal não vai tolerar aumentos considerados irregulares. A gestão destaca que medidas foram adotadas para reduzir o preço do diesel, como cortes de impostos e subsídios, e espera que a queda seja repassada ao consumidor.
A Secretaria Nacional do Consumidor orienta que possíveis abusos sejam denunciados aos Procons. Postos que praticarem aumentos sem justa causa podem ser multados em até R$ 13 milhões.





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