• Cachoeiro de Itapemirim, 08/04/2026
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Centro de Vitória enfrenta prejuízos e incerteza após paralisação de obras de revitalização


Centro de Vitória enfrenta prejuízos e incerteza após paralisação de obras de revitalização

A obra de revitalização do Centro de Vitória, iniciada pela prefeitura em março deste ano, foi interrompida por determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A paralisação, que ocorreu cerca de 20 dias após o início das intervenções, já provoca reflexos diretos no comércio e na rotina de quem circula pela região.


O projeto prevê melhorias nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa, além da Praça Ubaldo Ramalhete, com investimento estimado em R$ 10 milhões. No entanto, segundo o Iphan, a ausência de estudos específicos sobre o impacto das obras em uma área considerada sítio arqueológico motivou o embargo.


Enquanto as máquinas estão paradas, comerciantes relatam queda expressiva no movimento e dificuldades no dia a dia. A comerciante Samira Campana, que trabalha há quatro anos na Rua Sete de Setembro, afirma que o cenário já é preocupante.


“O fluxo de clientela diminuiu mais de 52% e aumentou muito a sujeira, a poeira, fica difícil pra gente”, disse, destacando também o impacto sobre clientes idosos, que enfrentam obstáculos de acesso.


A preocupação também se estende aos moradores. Maria Eugênia Moreira de Oliveira relata um ambiente de incerteza crescente, com queixas frequentes por parte de quem vive ou trabalha na região.


Do ponto de vista técnico, o Iphan sustenta que o Centro de Vitória exige atenção redobrada. A área é classificada como sensível historicamente, com potencial para abrigar vestígios arqueológicos.


“A gente pode nessa região encontrar resíduos de cerâmica que foram utilizados séculos atrás, antes da colonização, inclusive porque essa área aqui era habitada por indígenas, tinha restos de animais, ossadas humanas”, explicou o superintendente do órgão, Joubert Jantorno.


Ele afirma que a paralisação foi inevitável diante da falta de informações completas sobre o projeto.


“Por este motivo, porque nós não conhecemos o projeto e não sabemos o nível de intervenção que será feita nesse processo da requalificação, é que nós solicitamos a paralisação das obras”, afirmou.


A Prefeitura de Vitória, por sua vez, argumenta que iniciou a obra com base em licenças obtidas ainda em 2023 e aponta que as exigências do Iphan foram atualizadas apenas em 2025. O impasse agora está em fase de análise técnica.


Segundo o instituto, a documentação já foi recebida e o processo está sendo tratado com prioridade.


“A documentação foi nos encaminhada no dia 1º e, já no dia 2, nós já fizemos os primeiros despachos. Toda a equipe está orientada e posicionada para acelerar esse processo”, disse Jantorno.


Apesar dos transtornos, há consenso entre comerciantes e moradores de que a revitalização é necessária. O que se cobra, agora, é agilidade.


“A revitalização é muito bem-vinda, isso é ótimo. Porém, precisa ser de uma forma dentro do tempo hábil. Não dá para ficar esperando”, afirmou Samira.

O cronograma inicial da prefeitura prevê a conclusão das obras em até 12 meses, com execução por etapas. A expectativa é de que, após a liberação do Iphan, os trabalhos sejam retomados — e o Centro volte a respirar com menos incerteza e mais previsibilidade.




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