Capixabas enfrentam dificuldade para emitir nova identidade e recorrem a cartórios pagos
Por PCLima
07/04/2026 - 12h55
Conseguir emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) tem sido um desafio para muitos capixabas. As vagas gratuitas disponibilizadas pela Polícia Científica são abertas apenas uma vez por semana e costumam se esgotar em poucos minutos, deixando grande parte da população sem conseguir agendar atendimento.
Diante da alta demanda, uma alternativa tem ganhado força no Espírito Santo: a emissão do documento por meio de cartórios autorizados. O serviço é pago, mas oferece mais agilidade no agendamento.
“O agendamento é mais rápido, exatamente porque o serviço é pago. O usuário que quer gratuidade acaba indo para a fila do Estado, que hoje enfrenta uma sobrecarga muito grande de pedidos”, explica a vice-presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Fabiana Aurich.
Atualmente, 11 cartórios de registro civil participam de um projeto piloto e funcionam como pontos de coleta de dados. Nesses locais, são realizados o cadastro, a biometria e o envio das informações para a Polícia Científica, que continua responsável pela emissão do documento.
Apesar da facilidade no atendimento, o prazo de entrega permanece o mesmo. Segundo a Polícia Científica, a emissão leva atualmente cerca de 40 dias, podendo cair para 15 dias no segundo semestre.
“A emissão é a mesma. O cartório só faz a coleta dos dados e encaminha para a Polícia Científica. Então, o prazo de entrega é igual ao do atendimento público”, reforça Fabiana.
Para solicitar a CIN em cartório, é necessário apresentar documentos básicos, como certidão de nascimento ou casamento e comprovante de residência. Caso o cidadão queira incluir outras informações no documento, também deve levar os comprovantes correspondentes.
Mesmo sendo a primeira via gratuita por lei, os cartórios cobram uma taxa de conveniência pelo serviço. O valor é de R$ 49,13, acrescido de ISS, variando conforme o município. Na prática, o custo final fica entre R$ 51 e R$ 52.
“Se você quer facilidade, não tem jeito, tem que pagar. O cartório é um serviço privado, delegado pelo Poder Judiciário, então não conseguimos oferecer gratuidade”, afirma a representante do Sinoreg.
O funcionamento varia conforme a unidade. Em alguns cartórios, o agendamento é feito online; em outros, há possibilidade de encaixe, dependendo da demanda.
“Cada cartório organiza a agenda conforme sua capacidade. Por isso, o ideal é entrar em contato antes”, orienta.
Mesmo com a cobrança, a procura segue alta. A expectativa é de que o serviço ajude a reduzir a fila do sistema público e amplie o acesso da população ao novo documento.




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