Da obra ao tribunal: pedreiro ganha bolsa após defender própria causa
O que começou como uma batalha na Justiça do Trabalho acabou abrindo uma nova porta na vida do pedreiro Edilson Takahara. Depois de ganhar repercussão nacional ao fazer a própria sustentação oral diante de desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), ele recebeu uma bolsa de estudos para cursar Direito.
Sem formação na área, Edilson decidiu acompanhar pessoalmente o processo trabalhista desde o início. Na primeira instância, conseguiu uma decisão favorável. Quando a empresa recorreu, ele foi atrás de informações, estudou a legislação e se preparou para apresentar os próprios argumentos aos desembargadores.
O desafio foi além de entender as leis. Para acompanhar o processo, o pedreiro precisou aprender a usar o Processo Judicial Eletrônico (PJe), lidar com certificado digital e entender procedimentos que fazem parte da rotina dos tribunais.
A possibilidade de uma pessoa acompanhar pessoalmente uma ação trabalhista, sem advogado, existe por meio do chamado jus postulandi, previsto no artigo 791 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A regra permite que empregados e empregadores atuem diretamente na Justiça do Trabalho em determinadas etapas do processo.
Na prática, porém, a experiência mostrou a Edilson o quanto pode ser complicado para quem não tem formação jurídica lidar sozinho com um processo. Ele passou a pesquisar leis, decisões judiciais e termos técnicos para conseguir entender o próprio caso e preparar sua defesa.
A dedicação chamou atenção e acabou levando a uma oportunidade que ele não esperava: estudar Direito.
Agora, o pedreiro pretende levar para a universidade o conhecimento que começou a construir durante a própria disputa judicial. A bolsa permitirá que ele transforme aquela experiência em uma formação profissional.
“É um ganho importantíssimo e inesperado. É um presente, porque todo conhecimento que a gente adquire tem utilidade em um momento ou outro. Então é aproveitar mesmo”, afirmou Edilson.
A história, que começou em um processo trabalhista e levou um pedreiro à tribuna de um tribunal, agora ganha um novo capítulo. Desta vez, Edilson vai trocar os estudos feitos para defender a própria causa pelas aulas de Direito.





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