• Cachoeiro de Itapemirim, 09/09/2026
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Espírito Santo registra 4,9 mil mortes por doenças crônicas em cinco meses


Espírito Santo registra 4,9 mil mortes por doenças crônicas em cinco meses

O Espírito Santo registrou 4.910 mortes provocadas por quatro grupos de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) entre janeiro e maio de 2026. Os dados são do Painel de Monitoramento da Mortalidade por CID-10, do Ministério da Saúde, e ainda são preliminares.

As doenças cardiovasculares foram responsáveis pelo maior número de óbitos, com 2.329 registros no período. Na sequência aparecem as neoplasias, com 1.775 mortes; o diabetes mellitus, com 484; e as doenças respiratórias crônicas, com 322.

No Brasil, os mesmos grupos de doenças somaram 257.826 mortes nos cinco primeiros meses do ano. Desse total, 124.942 foram provocadas por doenças cardiovasculares, 93.889 por neoplasias, 22.163 por diabetes e 16.832 por doenças respiratórias crônicas.

Os números ganham destaque com a proximidade do Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu como tema os cuidados seguros para doenças não transmissíveis, com o lema “Cuidados seguros para a vida toda”.

A campanha chama atenção para a segurança em todas as etapas do atendimento, desde a prevenção e o diagnóstico até o tratamento e o acompanhamento de longo prazo.

Pacientes com câncer, diabetes, doenças cardiovasculares ou problemas respiratórias crônicas podem precisar de acompanhamento médico, exames e medicamentos por vários anos. Segundo a OMS, a interação frequente com diferentes profissionais e unidades de saúde aumenta a possibilidade de falhas de comunicação, erros no uso de medicamentos, atrasos no diagnóstico e problemas na continuidade do tratamento.

A organização estima que um em cada dez pacientes sofre algum dano durante o atendimento de saúde e que aproximadamente metade dessas ocorrências poderia ser evitada. No tratamento do câncer, a estimativa chega a um evento adverso para cada três pacientes.

“A segurança do paciente não começa quando ele entra no hospital e também não termina quando recebe alta. No caso das doenças crônicas, estamos falando de um cuidado que pode acompanhar a pessoa durante anos”, afirma Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Além do acompanhamento médico, a prevenção tem papel importante na redução dos riscos associados às doenças crônicas. Entre os principais fatores modificáveis estão o tabagismo, a falta de atividade física, o consumo nocivo de álcool, a alimentação inadequada e a exposição à poluição do ar.

As DCNTs provocaram ao menos 43 milhões de mortes no mundo em 2021, segundo a OMS, o equivalente a 75% dos óbitos não relacionados à pandemia naquele ano. Cerca de 18 milhões das vítimas tinham menos de 70 anos.

Para o médico clínico-geral Maurício Perroud, a prevenção deve começar antes mesmo do diagnóstico e continuar durante toda a vida.

“A identificação dos fatores de risco, o acompanhamento periódico e a detecção precoce permitem agir mais cedo e reduzir a possibilidade de complicações. Mesmo quando a doença já está instalada, manter o acompanhamento e seguir corretamente o tratamento são fundamentais”, explica.

A OMS também recomenda que os próprios pacientes participem das decisões relacionadas ao tratamento e compreendam sua condição de saúde. Saber para que servem os medicamentos, comunicar alterações no estado de saúde e esclarecer dúvidas antes de iniciar ou interromper um tratamento são atitudes que ajudam a reduzir riscos.

Os dados de 2026 são preliminares e podem ser atualizados pelo Ministério da Saúde.




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