• Cachoeiro de Itapemirim, 06/02/2026
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Vereador propõe retirar nome Michelini da orla de Camburi


Vereador propõe retirar nome Michelini da orla de Camburi

O vereador Armandinho Fontoura (PL) protocolou na Câmara Municipal de Vitória um Projeto de Lei que propõe a mudança do nome da Avenida Dante Michelini para Avenida Governador Gerson Camata. A proposta nº 004/2026 surge em um momento de forte comoção pública, dias após o corpo de Dante Brito Michelini, conhecido como Dantinho, ter sido encontrado decapitado em um sítio de Guarapari, na terça-feira (3).

O episódio trouxe novamente ao centro do debate o nome que batiza a principal via da orla de Camburi e sua associação histórica com um dos crimes mais emblemáticos e traumáticos da história do Espírito Santo: o assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973.

Dantinho tinha 76 anos e foi um dos três acusados de raptar, estuprar e matar Araceli, então com 8 anos de idade. Apesar de ter sido absolvido pela Justiça em 1991, por falta de provas, seu sobrenome permaneceu, ao longo das décadas, ligado à memória do crime e, por consequência, à avenida que corta a orla mais movimentada da Capital.

A pressão popular por uma mudança não é recente. Em 2018, uma consulta pública promovida pela própria Câmara Municipal revelou que 93% dos moradores eram favoráveis à alteração do nome da via. Apenas no primeiro dia da enquete, mais de 700 pessoas se manifestaram.

Do ponto de vista legal, o projeto apresentado por Armandinho revoga a Lei Municipal nº 1.701, de 1967, que oficializou o nome Avenida Dante Michelini. Ao justificar a escolha de Gerson Camata como novo homenageado, o vereador destacou a trajetória política do ex-governador.

“Ex-vereador de Vitória, deputado estadual, deputado federal, governador do Espírito Santo e senador da República por três mandatos, Gerson Camata teve uma carreira que atravessou décadas da vida pública brasileira”, afirmou Armandinho.

Caso a proposta seja aprovada, as despesas com confecção e instalação das novas placas ficarão sob responsabilidade do Poder Executivo Municipal, com recursos das dotações orçamentárias próprias. O projeto agora segue para tramitação e análise dos vereadores da Casa.

Questionado sobre o motivo de não atender ao clamor popular pelo nome Avenida Araceli, o vereador explicou que a medida esbarra em impedimentos legais, já que o viaduto localizado ao final da via leva oficialmente o nome da menina.

“Se fosse legalmente possível, eu gostaria que a avenida se chamasse Araceli, como forma de retratação histórica. Como isso não é viável, a mudança de nome já representa um avanço e, ao mesmo tempo, prestigia um importante governador do nosso Estado. Não pode haver dois logradouros públicos com o mesmo nome, por isso, como não há nenhum com o do Governador Gerson Camata identificamos que seria o ideal”, afirmou.

A origem do nome da avenida

Apesar da associação consolidada ao longo dos anos, a denominação da avenida não foi uma homenagem direta a Dantinho. O nome se refere a Dante Michelini, empresário capixaba, avô de Dante Brito Michelini e pai de Dante de Barros Michelini, também acusado e posteriormente absolvido no caso Araceli.

O patriarca não possuía outro sobrenome e passou a identificar a via por ter sido o responsável pela doação dos terrenos que permitiram a pavimentação da orla. Dante Michelini morreu em 13 de janeiro de 1965, oito anos antes do crime que marcaria o Estado. À época, registros históricos apontam que todo o comércio ao longo do trajeto do cortejo fúnebre, passando pelo Centro de Vitória, Vila Rubim e Santo Antônio, fechou as portas em sinal de respeito. Ele era considerado um empresário de grande relevância no Espírito Santo.

Em janeiro de 1967, dois anos após sua morte, a Prefeitura de Vitória sancionou decreto da Câmara Municipal que denominou como Avenida Dante Michelini o trecho entre a ponte Prefeito Ceciliano Abel de Almeida, conhecida como ponte de Camburi, e o cais de Tubarão. Antes disso, a via era chamada de Avenida Beira-Mar. A homenagem, formalizada pela Lei nº 1.701/67, levou em conta tanto a atuação econômica do empresário quanto a cessão de áreas da orla para a obra.

A denominação, portanto, ocorreu seis anos antes do desaparecimento, da violência e do assassinato de Araceli, o que afasta a tese de que a homenagem tenha sido um prêmio aos acusados do crime.

Além da avenida, o nome de Dante Michelini também batiza uma escola pública em Vila Velha, a Umef Dante Michelini, localizada no bairro Planalto.

Tentativas anteriores de mudança

Em 2017, a Prefeitura de Vitória inaugurou o viaduto no final da avenida, acompanhado de um memorial dedicado à menina. A estrutura recebeu oficialmente o nome de Viaduto Araceli Cabrera Crespo.

Pouco depois, a Câmara Municipal abriu uma enquete nas redes sociais para medir a opinião da população sobre a mudança do nome da avenida. O resultado foi expressivo: mais de 700 manifestações no primeiro dia e 93% favoráveis à alteração.

Naquele período, o então vereador Roberto Martins chegou a defender a realização de um plebiscito para discutir a mudança de nomes de vias públicas, incluindo a da orla de Camburi. O projeto, no entanto, foi vetado pelo ex-prefeito Luciano Rezende no início de 2018. O veto acabou mantido pelos vereadores, encerrando a discussão naquele momento.

Agora, com um novo contexto e uma proposta formal em tramitação, o tema volta ao centro do debate político e simbólico da Capital.




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