• Cachoeiro de Itapemirim, 11/03/2026
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Dia Nacional em homenagem às vítimas da Covid-19: histórias de saudade e ressignificações após a perda


Dia Nacional em homenagem às vítimas da Covid-19: histórias de saudade e ressignificações após a perda

Nesta quinta-feira (12), é lembrado o Dia Nacional em homenagem às vítimas da Covid-19. Com mais de 700 mil vidas perdidas em todo Brasil, a doença foi responsável pelas quase 13 mil mortes no Espírito Santo, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), desde o início da pandemia. Nesta data, a Secretaria da Saúde (Sesa) reforça a importância de manter o cuidado, mesmo nos dias atuais.

Durante a pandemia, o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, se tornou uma das principais unidades referência no atendimento aos casos graves da doença no País, chegando a receber, nos primeiros anos de pandemia, entre 2020 e 2021, mais de 10 mil pacientes com Covid-19.

Uma das grandes saudades da instrumentadora cirúrgica Jéssica Poleze, é da sua mãe, Maria Eli, vítima da Covid-19 ainda no ano de 2020. A filha conta que na época toda família foi contaminada pelo vírus, tendo além da mãe, o pai e avó desenvolvendo a forma mais grave da doença. “Minha mãe chegou à UPA de Castelândia em 03 de maio de 2020, foi transferida para o Hospital Jayme e faleceu no dia 11 de maio, depois de uma semana de internação”, disse.

Jéssica destacou que, infelizmente, as pessoas ainda tendem a minimizar os efeitos e consequências da Covid-19. “Só quem viveu a Covid-19 na forma grave com sintomas acredita realmente na doença. Quem teve sintomas leves, mesmo depois de tanta morte e sequelas, acredita ainda ser só uma ‘gripezinha’”. Por isso, de acordo com a instrumentadora cirúrgica, sempre que pode, compartilha a sua história. “E mesmo assim tem muitos questionamentos, se ela (mãe) tinha outra doença, se já era debilitada, mas não, ela era uma mulher saudável”, lembrou.

Outra história repleta de saudades é a da família do motorista Eude Frederich Colle. A saudade é do irmão Edervam, que faleceu em decorrência da Covid-19 em 2021, no Hospital Jayme. Assim como a história da Jéssica, toda família de Eude foi contaminada pelo vírus, mas apenas o irmão evoluiu para o caso grave. “Acabou que eu, minha mãe, irmã, irmão, minha esposa, o marido da minha irmã e o filho dela pegamos Covid-19. Todos ficamos em suas casas para nos cuidarmos, mas o Edervam começou a sentir falta de ar, e foi levado para a UPA da Serra Sede”, lembrou.

Eude contou que ao chegar à UPA, logo o irmão foi encaminhado para o Jayme, onde ficou internado por 15 dias até vir a óbito. “Ainda na UPA ele me mandou a última mensagem, com as palavras ‘irmão, quem entuba, morre’”. E, assim como a Maria Eli, o irmão do Eude faleceu antes de poder receber a vacina contra a Covid-19.

“A mensagem que deixo hoje é para não subestimarem a importância da imunização. Muitas pessoas morreram mesmo depois da vacina disponível, por pura ignorância e negacionismo. A ciência é um dom que Deus deu à humanidade, então se tem como se proteger, por que não?!”, alertou Jéssica Poleze.

Segundo o médico intensivista e coordenador das Unidades de Terapia Intensiva do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, Fernando Sad, o início da vacinação foi fundamental para o controle da pandemia. “O esforço empreendido a nível mundial para chegar a vacinas seguras e realmente eficientes foi sem precedentes. Todo o aprendizado que tivemos nos levou a entender como reagir a qualquer ameaça futura nesse sentido, a ciência médica está sempre em evolução, e atuando mais rápido e de maneira mais eficiente. Atualmente praticamente não vemos casos da Covid-19 com gravidade nas unidades de Terapia Intensiva”, explicou.

O presente

Quis o destino atuar de forma surpreendente na vida do motorista Eude Frederich Colle e ressignificar a sua dor. Atualmente ele atua como motorista do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves. “Para o meu trabalho, eu amo o que faço, eu busco sangue e remédios para os nossos pacientes e fico muito feliz por ajudar a cuidar de cada um deles, mesmo não os conhecendo pessoalmente”, contou, assim como os profissionais que cuidaram de seu irmão.

O tempo presente da Jéssica Poleze também trouxe um momento de conforto: ela se tornou mãe e pôde homenagear a sua mãe Maria Eli.

“A minha mãe ainda tinha muita coisa para viver, assim como tantas outras pessoas que tiveram a sua história interrompida pela doença. Ela nunca será esquecida, vai ser lembrada sempre com muito amor e carinho e hoje tenho uma filha que irá fazer 5 anos que se chama Maria Elisa, em homenagem a ela, que não teve oportunidade de conhecer a neta”, revelou.

 

Óbitos pela Covid-19 no Espírito Santo

Segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o Espírito Santo soma, desde 2020 até a última segunda-feira (09) 12.853 óbitos pela Covid-19. Os anos de 2020 e 2021 foram os de maior registro, com 4.891 e 6.385, respectivamente.

Além disso, durante os anos de 2020 e 2021, a Covid-19 foi a principal causa de óbito no Estado, ultrapassando doenças do Aparelho Circulatório ou doenças endócrinas, como as doenças cardíacas e a Diabetes mellitus. Com o avanço da vacinação, o número de mortes pelo vírus foi reduzindo. Em 2024, por exemplo, ela passou a ser a 40ª causa de morte.

Abaixo o número de óbitos por Covid-19 por ano:

2020: 4.891

2021: 6.385

2022: 1.294

2023: 150

2024: 93

2025: 38

2026: 02

Fonte: Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). Os dados de 2025 e 2026 estão sujeitos a revisão.

 

Vacinação como enfrentamento ao vírus

Para a médica e referência técnica da Vigilância da Influenza e Meningites, do Programa Estadual de Imunizações (PEI), da Secretaria da Saúde (Sesa), Mariana Ribeiro Macedo, a redução no número de óbitos pela Covid-19 é uma conquista importante da ciência e da saúde pública, por meio da imunização da população. Ela ressaltou, entretanto, que a Covid-19 ainda segue sendo uma doença perigosa, especialmente aos grupos de risco.

“Com o avanço da vacinação, tivemos uma redução no número de casos e a Covid-19 tem se apresentado de maneira menos grave, porém ela ainda traz riscos, as pessoas ainda morrem por Covid, principalmente os pacientes de riscos, como crianças, idosos e gestantes”, frisou Mariana Ribeiro Macedo.

A vacinação contra a Covid-19 passou a fazer parte do Calendário Nacional de Vacinação de crianças maiores de seis meses a menores de 5 anos de idade (sendo a meta voltada às crianças menores de 1 ano de idade), das gestantes e idosos, e não é mais ofertada a toda população geral, como nos anos de pandemia. As doses devem ser aplicadas na rotina, disponibilizadas nas salas de vacinação. Com meta de cobertura vacinal de 90%, nenhum dos grupos conseguiu alcançá-la em 2025. A cobertura de crianças foi de 2,6%; de 12,47% em gestantes; e de 3,73% em idosos.

E a importância da vacinação contra a Covid-19 é sempre lembrada e defendida pela servidora pública Regina Lucia da Silva, que atualmente atua como chefe do Núcleo da Medicina do Trabalho, na Sesa. Regina perdeu o irmão mais velho César Augusto da Silva para a doença em 2021, e ele não havia sido imunizado ainda.

“Ele foi acometido pela doença e, infelizmente, faleceu em setembro de 2021, após uma semana de internação. Ele não havia recebido nenhuma dose da vacina ainda. Quando a vacina foi disponibilizada, inicialmente para trabalhadores da saúde, eu senti alívio e tristeza ao mesmo tempo. Alívio por me sentir mais protegida para continuar trabalhando na Sesa, onde contribuímos com as medidas de enfrentamento da pandemia. E, tristeza por pensar nas pessoas que ainda não tinham acesso à vacina, incluindo meu próprio filho, meus irmãos e amigos próximos”, lembrou.

Ela contou que acabou pegando o vírus em 2022, mas diferentemente do irmão, não precisou ficar internada. “Graças à vacina, não precisei de internação. Fui atendida na Unidade de Saúde do meu bairro, em conformidade aos protocolos estabelecidos pela Vigilância em Saúde”, disse.

Regina Lucia da Silva destacou que ainda guarda na memória de infância a mãe levando-a junto aos irmãos para a vacinação e desde esta época aprendeu uma importante lição: “Aprendi ainda criança que as vacinas têm o poder erradicar doenças e salvar vidas!”




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