Piloto investigado por rede criminosa em SP pode ter feito segunda vítima no ES
Uma criança de 11 anos, do Sul do Espírito Santo, pode ser a segunda vítima da rede criminosa que está sob investigação em São Paulo e que seria mantida pelo piloto da aviação comercial Sérgio Antonio Lopes.
A informação veio à tona durante o depoimento prestado na terça-feira (10) pela mulher de 29 anos, presa em Marataízes e suspeita de integrar e colaborar com o grupo investigado.
Segundo as apurações da Polícia Civil de São Paulo, a mulher já enviava imagens da própria filha, de 3 anos, para o piloto, apontado como líder do esquema. Ela também planejava um encontro para que ele tivesse contato direto com a criança.
A suspeita gravava e encaminhava vídeos da filha para o investigado, que pagava entre R$ 30 e R$ 50 pelos registros.
“Eram solicitados vídeos e fotos mediante pagamento. Nesses vídeos, havia situações envolvendo crianças que eram gravadas e enviadas”, explicou a delegada Luciana Peixoto, da 4ª Delegacia de Repressão a Crimes contra Crianças e Adolescentes do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo.
Suspeito explorava vulnerabilidade financeira
A delegada do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil do Espírito Santo, Gabriela Enne, explicou que o piloto buscava pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e oferecia pequenas quantias em dinheiro para que gravassem os vídeos. Os pagamentos, muitas vezes, eram utilizados para a compra de alimentos.
Segundo a investigação, o piloto orientava que a mãe colocasse a criança em determinadas situações para a gravação dos vídeos. Após produzir o material, a mulher enviava os registros e recebia o pagamento por meio de transferências via Pix.
De acordo com a polícia, a suspeita morava no quintal de uma residência com outros familiares, que ficaram chocados ao descobrir os fatos.
Investigação chegou ao ES após análise de celular
A conexão com o Espírito Santo foi descoberta após a apreensão de materiais eletrônicos do piloto investigado.
Durante a análise do celular, investigadores encontraram conversas com uma mulher de Marataízes que enviava conteúdos envolvendo a própria filha. Segundo a polícia, a criança tinha apenas dois anos quando os registros começaram a ser feitos.
“Ela acabou dizendo que apagou alguns vídeos que foram feitos quando a criança tinha dois anos e seguiu até os três anos”, afirmou a delegada Gabriela Enne.
A polícia informou que as conversas entre o piloto e a suspeita ocorriam desde agosto do ano passado, principalmente por meio do WhatsApp. Eles teriam se conhecido na praia de Marataízes, durante uma viagem do piloto. A mulher trabalhava no local vendendo produtos artesanais.
“O crime só cessou quando o piloto foi preso, pois não tinha mais contato entre os dois”, afirmou a delegada Luciana Peixoto.




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