“Ideologia não dá de comer”, diz novo presidente da Bolívia em discurso de vitória
Em seu primeiro discurso como presidente eleito da Bolívia, Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, prometeu romper com duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS) e conduzir o país a um novo ciclo de estabilidade e reconstrução.
O político de centro-direita, que derrotou Jorge Tuto Quiroga por 54,6% dos votos, defendeu um governo distante de radicalismos e reafirmou valores conservadores como pilares de sua administração.
“A ideologia não dá de comer. O que dá de comer é o direito ao trabalho, instituições fortes, segurança jurídica e respeito à propriedade privada. O que dá de comer é ter certeza do seu futuro”, afirmou Paz, em um discurso de cerca de 20 minutos, marcado por apelos à unidade nacional.
Ele também destacou que pretende pautar sua gestão em “Deus, a família e a pátria”, e reforçou o compromisso com reformas econômicas, fortalecimento da democracia, combate à corrupção e reabertura do país ao mundo.
“No primeiro turno, dissemos que daríamos a mão a quem ganhasse. No segundo turno, repetimos que, se o povo da Bolívia não nos elegesse, daríamos a mão a quem ganhasse. E hoje, desde a vitória, damos a mão”, declarou, em tom conciliador.
Paz assume o comando da Bolívia em meio a uma profunda crise econômica e institucional, sucedendo Luis Arce, cujo governo (2020–2025) foi marcado por conflitos políticos e pelo desgaste interno do MAS, liderado por Evo Morales.
Em seu pronunciamento, o presidente eleito também criticou o clima de polarização e defendeu a pacificação do país.
“A Bolívia não pode permitir que o insulto e o ódio sejam parte do exercício democrático. Deus, a família e a pátria são a base da visão que temos em relação ao nosso compromisso com toda a Bolívia. Vou trabalhar todas as horas que Deus me der para transformar este país. Vamos governar com todos os homens e mulheres que queiram ajudar a pátria”, prometeu.
Com um discurso centrado em valores tradicionais e na recuperação da confiança institucional, Rodrigo Paz inaugura uma nova fase na política boliviana, mais próxima da moderação e do pragmatismo econômico, e mais distante da retórica ideológica que dominou o país nos últimos 20 anos.





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