Casal é preso em Serra por esquema milionário com tíquetes-alimentação e cobrança de até 40% sobre saldo
Um casal foi preso em flagrante em um condomínio de luxo no bairro Feu Rosa, em Serra, suspeito de chefiar um esquema de fraudes envolvendo cartões de benefícios, principalmente tíquetes-alimentação. Segundo a polícia, os investigados cobravam taxas que variavam de 20% a 40% do valor disponível em cada cartão.
De acordo com as investigações, o esquema funcionava da seguinte maneira: usuários entregavam os cartões ao casal, que conferia o saldo em uma maquininha. Em seguida, simulavam compras e transferiam integralmente os valores para empresas registradas em nome de “laranjas”. Após a operação, o dinheiro era repassado aos donos dos cartões por meio de Pix ou em espécie, permitindo que o beneficiário sacasse o valor do tíquete-alimentação, prática proibida por lei.
A fraude veio à tona após uma empresa denunciar uma ex-funcionária do setor financeiro. Ela era responsável por carregar os cartões dos colaboradores e, aproveitando-se do acesso, passou a inserir valores exorbitantes no próprio benefício. Depois, procurava o casal para converter os créditos em dinheiro. O esquema teria durado cerca de 16 meses, período em que aproximadamente R$ 200 mil foram desviados da empresa.
No momento da prisão, a polícia apreendeu 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros, quatro máquinas de cartão vinculadas a CNPJs de “laranjas” e quatro aparelhos celulares. Segundo um dos suspeitos, os cartões apreendidos somavam ao menos R$ 300 mil em saldo disponível. A investigação aponta que o grupo movimentava cerca de R$ 1 milhão por mês.
“O próprio preso disse que nesses cartões havia um valor de R$ 300 mil de saldo. Eles assumiram, mas para eles não cometeram nenhum tipo de crime. Nós pesquisamos a vida pregressa e o homem tem histórico de agiotagem com violência”, afirmou o delegado Vinicius Landeira.
O casal foi autuado por receptação qualificada, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular. Dois funcionários também são investigados por participação no esquema. A ex-funcionária apontada como responsável pelos repasses irregulares não foi presa, mas responde por furto.




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